4.2.14

Epílogo

- Imagem: Anna Yakova - Ramificações de árvore com as folhas de outono penduradas sobre o Rio Fontanka, Jardim de Verão, São Petersburgo, Rússia
- Poesia: Danízio Dornelles

Não florescerão mais girassóis em Amsterdam
Nem García Lorca pensará sobre o amor
Ficaremos para sempre adormecidos
Num baú sem cores, que perdeu o seu valor

Caminharemos por campos ondulados
Compondo estrofes de uma inerte poesia
Enquanto o sol queimar-te-á em desalinho
Sucumbirei ao ocaso de outro dia

Morreremos na promessa de uma tarde
No tabuleiro de pedras, na aquarela de um louco
Seguirei teu rastro sob a luz do esquecimento
Já curvado pelo tempo, que anoitece pouco a pouco

Teus rumos brandos beberão outros mistérios
Cada qual com suas luas pela frente
E a primavera, ao buscar o Rio Fontanka
Não beijará nada além de uma semente

Um comentário:

  1. A maior dor do mundo é ter que beber outros mistérios.

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