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8.8.13

Nós, os loucos

Imagem: Google/Reprodução
Poesia: Danízio Dornelles
Nós, os loucos, estamos na pele da noite
E na vertigem das ruas que transpiram povo
Somos o sentido impune da tempestade,
Onde colhemos a face de Quimera
Musa épica de um quadro libertário
Entre bandeiras de vinho e sangue 

À nossa volta, cavalos, demônios

E cães sentem fome de escuridão
Nós, os loucos, somos apenas luz!
Translúcida alquimia que queima
Delírio que rasga a treva da noite
E penetra o sentido das coisas comuns

No céu que adormece ferido de estrelas

Deixamos o beijo suspenso por um fio
Que seja de utopia! E assim diluímos
O frio num caminhar sem fim, de poesia

Aonde vamos, somos pedra.

Fosforescência itinerante de um tempo febril

Queimam os muros em tinta à nossa volta.

Dilacera a carne o medo que não temos
Nós, os loucos, por pouco nos perdemos
Entre o delírio de viver e ser poema

Leia também:
Nós, os poemas
A razão da poesia
Operário
11 de setembro
Embriaguez

12.7.13

Nós, os poemas

Imagem: Google/Reprodução
Texto: Danízio Dornelles

Nós, os poemas, deliramos subitamente na alcova das palavras.

Diluímos o verbo não dito no pecado de um beijo ou de um disparo na escuridão. Sangramos lágrima. Choramos suor.

Em carne viva, despimos a vergonha da plenitude.

Nós, os poemas, somos feitos de pelos e quimeras. Fragmentos de utopia. Afagos sinceros e rimas. Ingênuos fados que fascinam.

Entre o gosto e o agosto, um gole de metáfora dilui na noite o que não se dilui na pele. Então nós, os poemas, cantamos às mãos o que não se canta à lua.

Vestimos o gesto que esculpe as ruas. Somos um pouco de todos. Um fragmento de pedra. Uma alquimia de luta.

Porque entre nós, os poemas, não há o absoluto nem o fraterno abstrato. O que não corta, não serve. O que não sangra, não ama.

Anoitecemos, pois, entre estrelas e estrofes. Num céu que conspira em seu matiz de chama.

Leia também:
-A razão da poesia
-Rebeldia II
-Mudança
-Des(a)tino
-Ligeiro delírio do gosto


25.6.13

Rebeldia II

Poesia/Imagem: Danízio Dornelles
(Pelotas, 20/06/2013 - 20 mil pessoas ocupam
as ruas exigindo avanços no campo popular)
viceja teu gosto
centelha de aço
ao povo que passa
rompendo o imposto

traduz-me, te peço
em singelo apreço
de amor. E amanheço
na luta que avança

na fluidez, manifesto
a dor. E renasço
na cor do protesto
bandeira que abraço

Leia também:
Mudança
A estética (dos que morrem) do frio
Os olhos de Korda repousam sobre Cuba
Rebeldia
Golpe




7.3.13

Comemorações sobre a morte de Chávez

Imagem: reprodução/Google
Texto: Danízio Dornelles
Hoje li – indignado – comemorações no Facebook sobre a morte do presidente Hugo Chávez. Depois, com calma, até senti pena. Algumas pessoas são, sim, dignas de pena. E não é pela divergência de opiniões (algo que considero importante), mas pela capacidade de reprodução de um discurso simplório, desses que a gente lê na revista Veja e em outras publicações do gênero. Einstein costumava dizer que duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. O cientista argumentava não estar absolutamente certo sobre a primeira. Eu fico impressionado a cada dia com a expansão da segunda...

Quando percebo que alguns universitários (sim, esses mesmos) abdicam do direito de pensar para simplesmente reproduzir um discurso tosco (aos moldes do que falavam e pensavam os golpistas ao justificarem o AI-5 no Brasil), percebo que a universidade por aqui tem falhado em muitos pontos.

O sistema eleitoral na Venezuela, por exemplo, é considerado um dos mais seguros do mundo. Muita gente não sabe disso ou finge não saber. Lá, além da votação eletrônica, há (simultaneamente) a utilização de cédulas. Alguém já se perguntou se nosso sistema eletrônico é totalmente a prova de fraudes? A leitura biométrica – utilizada em algumas cidades brasileiras na última eleição – já é uma realidade por lá. Recentemente, observadores da Coreia do Sul (repito, do Sul) visitaram a República Caribenha e acompanharam as eleições, com o objetivo de implantar em seu país o mesmo sistema eleitoral. Lá, ao contrário do Brasil, não é obrigatório votar. Contudo, cerca de 80% da população compareceu às urnas na última eleição. Não é estranho que num sistema eleitoral como esse, um “ditador” seja eleito presidente?

O tragicômico da história e ver alguns filhotes da Ditadura – como diria Brizola – agora chamando Hugo Chávez de ditador. 

Para reflexão, deixo um texto do lúcido pensador uruguaio Eduardo Galeano:

“Hugo Chávez es un demonio. ¿Por qué? Porque alfabetizó a 2 millones de venezolanos que no sabían leer ni escribir, aunque vivían en un país que tiene la riqueza natural más importante del mundo, que es el petróleo. Yo viví en ese país algunos años y conocí muy bien lo que era. La llaman la "Venezuela Saudita" por el petróleo. Tenían 2 millones de niños que no podían ir a las escuelas porque no tenían documentos. Ahí llegó un gobierno, ese gobierno diabólico, demoníaco, que hace cosas elementales, como decir "Los niños deben ser aceptados en las escuelas con o sin documentos". Y ahí se cayó el mundo: eso es una prueba de que Chávez es un malvado malvadísimo. Ya que tiene esa riqueza, y gracias a que por la guerra de Iraq el petróleo se cotiza muy alto, él quiere aprovechar eso con fines solidarios. Quiere ayudar a los países suramericanos, principalmente Cuba. Cuba manda médicos, él paga con petróleo. Pero esos médicos también fueron fuente de escándalos. Están diciendo que los médicos venezolanos estaban furiosos por la presencia de esos intrusos trabajando en esos barrios pobres. En la época en que yo vivía allá como corresponsal de Prensa Latina, nunca vi un médico. Ahora sí hay médicos. La presencia de los médicos cubanos es otra evidencia de que Chávez está en la Tierra de visita, porque pertenece al infierno. Entonces, cuando se lee las noticias, se debe traducir todo. El demonismo tiene ese origen, para justificar la máquina diabólica de la muerte.”



Leia também:

5.2.13

Humanos


Imagem: desconhecido
Poesia: Danízio Dornelles
Somos um fragmento de mundo, 
feito vida;
já emergimos do tempo,
sangrando a utopia da palavra
em despedida

Guardamos na lágrima
angústia de mar,
bebemos nas feridas
a cura do incurável:

A noite, impiedosa fada,
há de passar,
trazendo o alforje da sentença.

Somos um fragmento de mundo
em transformação,
opaca sombra, luz da crença,
a perambular no tempo
antes da morte

Somos pedra. 
A vidraça do comum é nosso norte


Leia também:

23.11.12

Os olhos de Korda repousam sobre Cuba

Poesia/Imagem: Danízio Dornelles
A Alberto Korda, fotógrafo cubano. Autor da imagem
mais reproduzida no século XX, "el Che"

Insurgente,
um raio penetra a escuridão
e tudo se faz luz

Somos todos pedra,
por onde a utopia esculpe
uma vertigem de luta

Os olhos de Korda
repousam sobre Cuba,
delineiam o novo matiz,
forjam um sentido de povo:

-Nasce uma vertigem de luta
nos olhos de Korda...

Há uma menina
com morenos traços
diante da lente,
corroída madeira
como prolongamento dos braços,
inocentes sonhos,
esvoaçando a face triste,
como se a dor fosse, assim,
uma irmã mais velha.

Os olhos de Korda
repousam sobre Cuba...
Insurgente, um raio lhe desperta
uma utopia lhe governa,

Korda não mais adormecerá.

21.11.12

Rebeldia

Imagem: França, maio de 1968
Poesia: Danízio Dornelles
Mulher que despertas
A lua consciente
No vermelho do sol
Te chamo amanhã
Nos olhos sedentos
Nas veias latentes
O sonho insistente
Te fez nossa irmã

Carregas no ventre
A semente mais pura
A flor estridente,
O mistério, a razão
O canto comum
Pra calar a tortura
A noite escura
Pra revolução

És mãe das enxadas
Esperança liberta
Forjaste a utopia
Pra a morte do medo
O fruto do sangue
Das veias abertas
Pra hora mais certa
Guardaste o segredo

Temor dos tiranos
Senhores do luto
Acalanto da vida
Fecunda a verdade
Clarim dos humildes
A cada disputa
Bandeira de luta
Mulher-liberdade

20.9.12

Vida-noite, roda-amor...

Poesia/Imagem: Danízio Dornelles
I
A vida é roda
Que se movimenta
Ao sopro dos loucos
Que o amor alimenta

II
A noite amanhece
Estrelas fecundas
Sementes de povo
Bandeiras do mundo

III
A roda é sol
Fugaz poesia
Que extrai do farol
A luz da utopia

IV
O amor é brasa
Que sangra o espinho
Semblante de asa
Apego de ninho

19.9.12

Farrapo do Tempo


Poesia: Danízio Dornelles
Imagem: Aline Peters
Silêncio, pois nessa hora
Em que tremulam bandeiras
Pilchas em falsos campeiros
Terrunhos da boca pra fora
Silêncio, porque agora
Faço em versos minha vigília
Enrubeceu-se a coxilha
Com mesclas de vento norte
Abrindo um manto de morte
Na alma dos Farroupilhas

Homens, mulheres, crianças
Sentindo o frio do rancor
Ofertando a própria dor
No sangue que aquece a lança
No horizonte, uma esperança
Pra quando a guerra acabar
Mesmos sonhos pra sonhar
Sorvendo a mesma incerteza
Sem ter pão na sua mesa
Sem ter rancho onde morar

Assim eram os Farrapos
Que a história apagou o nome
Maior inimigo – a fome
E os supremos desacatos
Cobrindo o corpo com trapos
No peito, anseios profundos
E os sonhos, que são fecundos
Nos que só colhem misérias
Não alcançam as artérias
Dos que dirigem o mundo

Pois quando os chefes locais
Reculutavam infelizes
Iam abrindo cicatrizes
Nos supostos ideais
E até mesmo os generais
No fulgor da autoridade
Ao conclamar: “Liberdade!”
De alma e punho cerrados
Sacrificavam os soldados
Em troca da propriedade

Serão heróis os covardes
Que lutavam pela plata
Será herói quem maltrata
E age com notoriedade
Aos ranchos pobres invade
Buscando o que ali não hay
Herói é aquele que vai
Trilhando estranhos caminhos
Sem levar nenhum carinho
Nem mesmo a bênção do pai

Por isso chamo valentes
Aos ancestrais de minha raça
Que não se encontram em praças
Nem nas molduras latentes
Mas que deixaram sementes
Plantadas sobre a coxilha
E chamo, sim, Farroupilhas
Aos herdeiros do abandono
Não sendo nem mesmo donos
Das garras de sua encilha

Então, ao invés de gritos
Rondas ou fogo-de-chão
Entrego meu coração
Pela alma dos aflitos
E, nesse gesto contrito
Minha voz é clarim de guerra
O instinto em meu peito encerra
A defesa de nossa origem
E os Farrapos que ainda vivem
Sem ter um palmo de terra

17.9.12

Vermelhas Bandeiras


Poesia: Danízio Dornelles
Imagem: desconhecido
É tempo
De toda esta gente
Ser fértil semente
Ser voz e ser povo
Tempo
De ocupar espaços
Estendendo os braços
Abraçando o novo

É tempo
Do fim dos conchavos
Os sonhos escravos
Já rompem correntes
É tempo
De ser esperança
Saber que a mudança
Depende da gente

É tempo
De campo e cidade
Mudar de verdade
A antiga herança
É tempo
De flores inteiras
Vermelhas bandeiras
De um povo que avança

19.7.12

Comum é o sonho de tod@s

Poesia/Imagem: Danízio Dornelles
Bebi o vento dos Andes
Que a fronteira não separa
De Sandino a Guevara
Latinidades iguais
O amor só vence a morte
Quando a vida vence a fome
E a miséria se consome
Pela luz dos ideais

Meu canto
É uma bandeira cor de sangue
Que a ira dos covardes
Nunca pode silenciar
Brotei das flores
Das sementes fecundadas
Pelas almas mutiladas
Que morreram a lutar

Canto insurgente
América em rebeldia
No luar da poesia
Das enxadas sobre a terra
É a verdade dos humildes
Quando o sonho adormecido
Querendo ganhar a vida
Pela fome entra em guerra

Se vem do povo
A tempestade rasga a noite
E os escravos dos açoites
Fecundam a madrugada
Ao novo dia
Novo mundo em tons febris
Já não há mãos infantis
Pedindo pelas calçadas

3.7.12

Mudança


Imagem - França, Maio de 1968
Poesia - Danízio Dornelles

Passam os passos
em descompasso...
O povo tem pressa,
ocupa a praça!
Não há aço
que impeça,
não há promessa
ou ameaça
que desfaça
a crença.
A bandeira presença
(que rubra floresça)
conduz a esperança
que a morte padeça,
que o sonho renasça,
que tudo aconteça
no então recomeço
do braço
que abraça,
na vida que avança,
tomando o espaço
de crer que a mudança
agora aconteça
e que o sol permaneça
insurgente pedaço.

30.5.12

Ainda vivo, senhora!

Autor:
Imagem - Hector Retamal, durante protesto de estudantes em Santiago, por educação gratuita para todos (25/04/2012)
Poesia - Danízio Dornelles
Sob a pele castigada,
Distante das matilhas
(Ferozes quadrilhas,
do povo, algozes)
Ainda se pode amar!
Ainda bandeira!
E, embora não queiras,
me atrevo a sonhar...
Entrego a utopia,
Sangue, poesia...
Da vida ao instante,
Na luta e na crença,
A eterna presença
dos mortos de antes.

28.5.12

O vestido da morte


Autor:
Imagem - desconhecido
Poesia - Danízio Dornelles
O vestido da morte se arrasta pela terra
Escurece os olhos das searas repartidas
Amarra corpos com os fios dos alambrados
Semeia a fome sobre a terra prometida

O vestido da morte é escuro como a noite
Carrega a poeira dos decretos assassinos
Quando escurece vem beber o sangue alheio
Na condição que a ganância determina

Em cada enxada que emudece sobre a terra
Fica a semente da partilha, adormecida
Seguem na estrada, contra o vento e a cobiça
Atrás a morte, arrastando seu vestido

E pelos rastros de quem parte, de quem fica
Há uma certeza feito carne, feito prece
Os alambrados são o sustento da morte
Que veste o luto daqueles que anoitecem

3.5.12

Gente em movimento


Autor:
Imagem - desconhecido
Poesia - Danízio Dornelles
O mundo se movimenta
nos passos de gente
que caminha,
apesar de tudo;
que perde os pedaços,
mas não recua...
Gente como essa gente,
que dá as mãos e não se cala
frente às máquinas da morte;
Gente mutilada,
com sonhos inteiros,
com ternura nos olhos
e tormentas em si,
Gente que não ama pela metade,
que não vive morta,
mas que morre viva;
Que é flor e fruto,
raiz e semente...
Apenas gente,
e nada mais.

28.4.12

Tempo do Trabalhador

Autor: (poesia/imagem): Danízio Dornelles
O cinza da vida
Extrai um raio de luz 
Dos olhos do trabalhador,
Perpetua a esperança inacabada,
Na calosidade das mãos,
Na rigidez do tempo,
Na miséria paga pela força
Que não tem preço...
O cinza da vida
Extrai uma gota de suor,
E outras mais,
E tantas mais,
Que se desprendem
De um corpo cansado,
Fecundando o mundo
De obreiros sonhos,
Milhões de silêncios,
Milhões de braços,
Veias e músculos,
Sangue que não tem pátria
Ou fronteira.
A vida escorre generosa
Na face do trabalhador,
Irriga-lhe os sulcos do rosto
Em desmedida quietude,
Como o tempo
Dos que não tem tempo.
Um raio de sol
Penetra-lhe a visão desperta,
Cinge-lhe o corpo
Um calor de brasa e ventania:
No martelo de ferro
E nas mãos de carne
repousa o mistério
De um novo tempo.

15.4.12

Ruas


Autor (poesia/imagem): Danízio Dornelles
O cravo do céu
desperta em luz
os primeiros gemidos
do dia inocente
Por onde escorre
feito nuvem
o leite das manhãs em cio

De repente,
quero simplesmente
O que não é planta
e não é semente
A fertilidade da vida,
A poética das ruas
Sonhos obreiros
que se multiplicam
na parnasiana
dimensão dos muros

O cravo do céu
banha de luz
a escura tempestade
dos fios que dançam ao vento
Os passos seguros,
Os ônibus que passam,
Os gritos que anunciam o destino
daqueles que seguem...

Penetra na cicatriz do céu
Uma fagulha de frio,
Uma centelha
de vida ausente
Um abraço delirante
fugidio da escuridão
Inerte,
apenas contempla aquela
cujo destino
beija a poesia do muros
E dilacera o sentido               
dos itinerários comuns

10.3.12

Golpe

Autor (poesia/imagem): Danízio Dornelles
É condenável sonhar
amar
e amanhecer,
Viver é sobreviver,
Latinoamérica em sangue
Tempo sem despedida
Fria navalha de escuridão
a cortar poemas,
Tempo dos sem tempo,
Vã resistência,
Ousar lutar,
Ousar viver
a ousadia de sonhar,
a utopia de querer...

Vida por um fio,
Desvario!
Das madres, orações,
Gemidos que se fundem,
Agonia nos porões,
Corpos na noite
escondidos,
Canções contra o metal,
Estrofes versus decretos,
Poemas: desaparecidos,
Arquivos: secretos...

Arrancar do cimento
os ossos da História,
Sepultar a memória
do esquecimento.

4.3.12

11 de setembro


Autor:
Imagem - desconhecido
Poesia: Danízio Dornelles
Há uma ferida na noite
Santiago sangra
As ruas são desertos de sonhos
Por onde a estupidez, a passos largos, caminha...
Vermelho pálido de desesperadas chamas
Cinza escuro na escuridão dos dias
La Moneda está em chamas
Santiago sangra
Há uma ferida na noite...
O perfil esguio da pátria veste luto
E suas veias tingem a cordilheira de rubro
Uma luz triste vibra nas cordas da guitarra
Daquele que não mais recordará Amanda
A agonia está na pele do monstro
Que, aos gritos, anuncia a morte da vida
O desespero da inocência
ante o triunfo da estupidez humana, desumana
Santiago está em chamas
A dor queima a alma do poeta, que escurece
No mar salgado da lágrima mais triste
É a morte da real utopia
É o silêncio da desesperança
Neruda fecha os olhos, a poesia adormece 
A águia repousa outra vez sobre a terra latina
E suas garras tem fome de sangue
dos corpos que alimentam o norte
La Moneda está em chamas
Há uma ferida sem cura em Allende
O povo sangra

26.2.12

Partilha


Imgem: desconhecido
Poesia: Danízio Dornelles
No sol que é meu rumo
Nasce a tarde-mulher,
O verde se abre
Em seios fecundos
E, por um segundo,
O tempo requer:
- Que nasça outra vida
Em pétalas de espera

Desfolhadas nos olhos,
Lágrimas de outono,
No inverno, o abandono,
Pra outra primavera!

Assim, camarada,
A semente, os grãos,
Façamos do tempo
Seara partilhada,
A alma na estrada,
A história nas mãos!


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Em frente
O verde das luas mortas