Imagem: Google/Reprodução
Poema: Danízio Dornelles
Autodevoro
teus paradigmas
milimétricos
na geografia dos passos
sobre as pedras
Autodevoro
se te devoro
e me devoro
te devorando
Autodevoro
pelo alto
o azul do teu céu
em nuvens e boca...
Translúcido gozo
onde pássaros
em cores
bebem poesia
Autodevoro-te
Autodevoro-me
num único substrato
da mesma substância
que exclama
almas libertas
em alquimia
corpos acorrentados
em chama
poema e rebeldia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . por Danízio Dornelles
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2.5.14
31.1.14
Chama
Poesia/Imagem: Danízio Dornelles
Na madrugada
onde quase tudo é silêncio
espreitam nas janelas entreabertas
as vontades maldormidas
Com suas luzes brancas
que adentram veias
percorrem
a corrente sanguínea da noite,
que pulsa
Roubam as chaves da quietude
num torvelinho surreal
de cores vivas
sobrepostas à realidade morta
Arte metafísica do encantamento
(platônico por um fio
ou por um fim)
teus cristais de pedra são alamedas
por onde caminho
Sonho que move o mundo
e gira os pedais do tempo
presente estás
como uma utopia
que escorre entre os dedos
como um quadro psicodélico
do amor e de si mesmo
como a fosforescência de mundos
entre esses dois olhares
num infinito de luas
que só as noites compreenderão
Na madrugada
onde quase tudo é silêncio
espreitam nas janelas entreabertas
as vontades maldormidas
Com suas luzes brancas
que adentram veias
percorrem
a corrente sanguínea da noite,
que pulsa
Roubam as chaves da quietude
num torvelinho surreal
de cores vivas
sobrepostas à realidade morta
Arte metafísica do encantamento
(platônico por um fio
ou por um fim)
teus cristais de pedra são alamedas
por onde caminho
Sonho que move o mundo
e gira os pedais do tempo
presente estás
como uma utopia
que escorre entre os dedos
como um quadro psicodélico
do amor e de si mesmo
como a fosforescência de mundos
entre esses dois olhares
num infinito de luas
que só as noites compreenderão
30.11.13
Do brilho quente de estrelas em janelas frias
Imagem: Noite estrelada sobre o Rio Ródano, de Van Gogh
Poesia: Danízio Dornelles
nas horas mortas
o punhal da noite
fere os olhos das estrelas
(que choram brilho)
luz de contemplação
amor vivo que respinga
e escorre pelo corpo do tempo
e pelas janelas frias
destas horas mortas
o que vem do espaço
são como passos
adentrando portas
há anos-luz é assim:
o incontido afago
sem volta
se desprende
da retina do universo
para morrer estopim
sucumbe na busca
de outra quimera
nas janelas e bocas
nos sonhos dos loucos
que deste brilho
fazem seu fim
Poesia: Danízio Dornelles
o punhal da noite
fere os olhos das estrelas
(que choram brilho)
luz de contemplação
amor vivo que respinga
e escorre pelo corpo do tempo
e pelas janelas frias
destas horas mortas
o que vem do espaço
são como passos
adentrando portas
há anos-luz é assim:
o incontido afago
sem volta
se desprende
da retina do universo
para morrer estopim
sucumbe na busca
de outra quimera
nas janelas e bocas
nos sonhos dos loucos
que deste brilho
fazem seu fim
15.11.13
Eterno depois
Imagem: Fauna in La Mancha - Vladimir Kush
Poesia: Danízio Dornelles
insólito relâmpago
corta em fio
um retalho da tarde:
primavera arde
como brasa suspensa
no corpo do vento
tudo viceja.
tudo colore.
no brilho opaco
da parede morta
sombras se beijam
com bocas em flor
nas portas, alamedas:
porta-retratos de pele
sementes e grão.
esparsas silhuetas
de almas andantes
sedentas de mundo
famintas de pão
quantos sóis de silêncio
até o amanhecer do tempo
diluir-se em dois?
quanto caminho,
diurna promessa?
(infinita presença
no eterno depois)
Poesia: Danízio Dornelles
corta em fio
um retalho da tarde:
primavera arde
como brasa suspensa
no corpo do vento
tudo viceja.
tudo colore.
no brilho opaco
da parede morta
sombras se beijam
com bocas em flor
nas portas, alamedas:
porta-retratos de pele
sementes e grão.
esparsas silhuetas
de almas andantes
sedentas de mundo
famintas de pão
quantos sóis de silêncio
até o amanhecer do tempo
diluir-se em dois?
quanto caminho,
diurna promessa?
(infinita presença
no eterno depois)
10.6.13
Jemah
Imagem: Google/Divulgação
Poesia: Danízio Dornelles
Uma centelha de mundo
acende os olhos do homem
que beija o calor fecundo
do fogo que lhe consome
Haverá sonoro apego
por entre as flores da morte
por entre as cores do medo
a busca incerta do norte
Quebra a rima, não importa
depois emenda os pedaços
costura a alma das portas
ao corpo inerte do aço
Escorre a navalha fria
sobre o verbo em carne nua
sangra em delírio a poesia
beijando restos de lua
Cada corpo, um sol errante
a queimar na hora escura
a eternidade do instante
que abstrai toda a loucura
Por entre o final dos tempos
dilui na sombra o caminho
queima o absinto dos olhos
sangra a noite em desalinho
Leia também:
Operário
Fragmento
Anjos
Caminhante
Ligeiro delírio do gosto
Poesia: Danízio Dornelles
acende os olhos do homem
que beija o calor fecundo
do fogo que lhe consome
Haverá sonoro apego
por entre as flores da morte
por entre as cores do medo
a busca incerta do norte
Quebra a rima, não importa
depois emenda os pedaços
costura a alma das portas
ao corpo inerte do aço
Escorre a navalha fria
sobre o verbo em carne nua
sangra em delírio a poesia
beijando restos de lua
Cada corpo, um sol errante
a queimar na hora escura
a eternidade do instante
que abstrai toda a loucura
Por entre o final dos tempos
dilui na sombra o caminho
queima o absinto dos olhos
sangra a noite em desalinho
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Fragmento
Anjos
Caminhante
Ligeiro delírio do gosto
28.4.13
Anjos
Imagem: Google/Reprodução
Poesia: Danízio Dornelles
Um anjo inerte
Poesia: Danízio Dornelles
Um anjo inerte
acolheu meu sono,
velando a lágrima
oculta em mar;
um anjo louco
um anjo louco
e um pouco santo
em tênis de lona
pôs-se a voar...
Outro descalço
chegou depois:
vergas de terra
por entre os dedos,
falava coisas
sobre divisas,
romper as cercas...
matar o medo...
Vieram tantos,
e tantos mais,
esculpir o tempo,
estático grão;
havia um anjo
da tempestade,
havia um anjo
da escuridão...
Vieram todos,
do mar, da bruma,
da lua rasa,
das flores mortas;
vieram anjos,
(vermelhas pipas)
no céu que habita
por trás das portas...
Leia também:
A razão da poesia
Vida-noite, roda-amor
Breve
Caminhante
Escuridão da poesia
Vieram todos,
do mar, da bruma,
da lua rasa,
das flores mortas;
vieram anjos,
(vermelhas pipas)
no céu que habita
por trás das portas...
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A razão da poesia
Vida-noite, roda-amor
Breve
Caminhante
Escuridão da poesia
18.2.13
Ligeiro delírio do gosto
Imagem: reprodução/Google
Poesia: Danízio Dornelles
Gosto do gosto que tece
Na boca que inflama,
Do corpo que aquece
Ao mistério da chama,
Do suor que adormece
A palavra que exclama.
Gosto do gosto que bebe
O suspiro que exala,
Do olhar que percebe
O verbo que cala,
Da luz que concebe
O segredo da fala.
Gosto do gosto fecundo
Do teu desvario,
Abismo profundo
Dos olhos em cio,
Desejos do mundo...
Poemas do frio...
Leia também:
15.2.13
Bento
Imagem: Reprodução/Google
Poesia: Danízio Dornelles
Foi-se outro papa
Riscado do mapa
Onde
Noutros tempos
A fúria dos ventos
Rasgava bandeiras
Cuspia fogueiras
Aos pés de Joana...
Foi-se,
Assim de repente
Rumor estridente
O papa, coitado
Na carta marcada
Deu logo o sinal:
Ataque dos mouros!
E logo partiu,
O papa-amigo
Levando consigo
Um pote de ouro...
Leia também:
Pranto
Imagem: desconhecido
Poesia: Danízio Dornelles
Fechar os olhos,
Despertar cada segredo:
Outro dia senti medo
Que a estrela se apagasse,
Que todo o céu se abrisse,
Que escuridão me sorrisse,
E a noite inteira chorasse...
Leia também:
Despedida
Correnteza
Escuridão da poesia
Caminhante
A agonia branca de um poema não-escrito
Poesia: Danízio Dornelles
Fechar os olhos,
Despertar cada segredo:
Outro dia senti medo
Que a estrela se apagasse,
Que todo o céu se abrisse,
Que escuridão me sorrisse,
E a noite inteira chorasse...
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Despedida
Correnteza
Escuridão da poesia
Caminhante
A agonia branca de um poema não-escrito
14.2.13
Breve II
Imagem: desconhecido
Poesia: Danízio Dornelles
O tempo
(quando ele quer)
(quando ele quer)
Repousa por um segundo,
Pra que o poeta veja o mundo
Nos olhos de uma mulher;
Depois,
A agonia invade,
A agonia invade,
Levando o mundo por diante,
Naquele mágico instante
Que os loucos chamam saudade...
Leia também:
5.2.13
Humanos
Imagem: desconhecido
Poesia: Danízio Dornelles
Somos um fragmento de mundo,
feito vida;
feito vida;
já emergimos do tempo,
sangrando a utopia da palavra
em despedida
em despedida
Guardamos na lágrima
angústia de mar,
angústia de mar,
bebemos nas feridas
a cura do incurável:
a cura do incurável:
A noite, impiedosa fada,
há de passar,
há de passar,
trazendo o alforje da sentença.
Somos um fragmento de mundo
em transformação,
opaca sombra, luz da crença,
a perambular no tempo
antes da morte
Somos pedra.
A vidraça do comum é nosso norte
Somos um fragmento de mundo
em transformação,
opaca sombra, luz da crença,
a perambular no tempo
antes da morte
Somos pedra.
A vidraça do comum é nosso norte
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20.11.12
Caderno Azul
Imagem: desconhecido
Poesia: Danízio Dornelles
Poesia: Danízio Dornelles
Um amigo com um caderno azul
Procura por si
(ou sou eu que ando perdido?)
Procura entre os espinhos
Que, no pátio, eternamente se multiplicam,
Procura nos olhos da menina
(que, escondida no quarto,
busca o refúgio do mundo)...
Um amigo com um caderno azul
Traz calma nas palavras
E tormentas no abismo secreto,
Que é seu interior;
Notas tristes no violão
Para encantar
Os que já perderam o encanto...
Um amigo com um caderno azul
Procura uma gota de mar,
Mar de Neruda!
Mar de Alfonsyna!
Mar de Vinícius!..
Compõe devaneios reais
Em mundos imaginários,
Empresta suas rosas negras
Para que alguém
Escreva um poema triste;
Um caderno azul e um amigo...
Ambos, por vezes adormecidos,
Em represada fúria da noite interior,
Estão – talvez – lado a lado.
Ambos a procura de si
(ou sou eu que ando perdido?)
17.11.12
Des(a)tino
Imagem: Desconhecido
Poesia: Danízio Dornelles
Coisa da pele
Poesia: Danízio Dornelles
Que sacia,
-Alquimia!
Conduz o delírio
Da loucura:
-Me procura!
Quando o avesso
For metade,
-Me invade!
Quando o céu
For um tormento,
-Desalento...
Sinal pra possuir
A tua chama,
-Que inflama,
O corpo insone
Acorrentado,
Acorrentado,
-No pecado,
De querer mais
A tua pele,
-Que repele,
Cada vazio
Que adormece,
-Então esquece!
Finge que a carne
Não domina,
-Me ensina,
A cantiga de conter
A dissonância
-Na distância...
O desatino febril
Por onde for:
-Teu amor!..
O desatino febril
Por onde for:
-Teu amor!..
20.9.12
Vida-noite, roda-amor...
Poesia/Imagem: Danízio Dornelles
I
A vida é roda
Que se movimenta
Ao sopro dos loucos
Que o amor alimenta
II
A noite amanhece
Estrelas fecundas
Sementes de povo
Bandeiras do mundo
III
A roda é sol
Fugaz poesia
Que extrai do farol
A luz da utopia
IV
O amor é brasa
Que sangra o espinho
Semblante de asa
Apego de ninho
I
A vida é roda
Que se movimenta
Ao sopro dos loucos
Que o amor alimenta
II
A noite amanhece
Estrelas fecundas
Sementes de povo
Bandeiras do mundo
III
A roda é sol
Fugaz poesia
Que extrai do farol
A luz da utopia
IV
O amor é brasa
Que sangra o espinho
Semblante de asa
Apego de ninho
16.9.12
Do avesso
Poesia/Imagem: Danízio Dornelles
Faço da pressa do abraço
Um tal recomeço
Que as vezes esqueço
A grandeza do espaço
O céu despedaço
Em alma e apreço
Pagando o preço
Da vida que faço
Assim fortaleço
A utopia no aço
Delírio e cansaço
Nem sei se mereço
Então aconteço
Na tua promessa
E a vida começa
Depois que adormeço
31.8.12
Hotel Minuano
Imagem: divulgação
Poesia: Danízio Dornelles
Alquimizei o tempo
Poesia: Danízio Dornelles
Alquimizei o tempo
Nos degraus de pedra
Escadas sem mapa
No rumo do céu
O meu infinito
Vestiu em tuas luas
Estrelas mais nuas
Que a noite nos deu
Adormecido sonhei
Acordado vivi
No escuro da luz
No claro do sol
Deixei a promessa
Do andar infinito
Em segredo escrita
No branco lençol
Ficou a utopia
Nas tuas paredes
Secreto poema
Que à alma convém
Parti mas fiquei
Diluído em apreço
No fim do começo
Buscando alguém...
5.8.12
Outono
Poesia/Imagem: Danízio Dornelles
Hoje o vento que sopra é só nostalgia
Tocando meu rosto e o tempo vazio
Adormece o verde em todo o espaço
E só o teu abraço me livra do frio
A brisa noturna trás restos de vida
Na morte das folhas que cobrem o chão
As praças transpiram desejos amantes
Que a cada instante dão vida à estação
E nasce uma flor em pleno outono
Nos olhos morenos da menina-mulher
O canto de paz tem poesia e calor
E aquece o amor quando o inverno vier
Cai o sereno sob o céu de abril
E uma estrela perfeita se perde no céu
Tua lembrança é o tempo que vem me aquecer
E eu, sem saber, me perco também
Breve
Poesia/Imagem: Danízio Dornelles
Pra cada dia, um poema,
Pra toda noite, uma dor,
Pra toda dor, uma morte,
Pra cada morte, um amor!
1.8.12
Luzidio
Poesia/Imagem: Danízio Dornelles
Te espero, estrela insurgente
Luzidio espectro das ruas
Estendo braços ao poente
Na busca secreta por tuas luas
Serás tu de carne ou brasa?
Noturna canção ao desalento
O mundo esguio é feito asa
A vida espreita teu momento
Acende a chama da invernia
Navego assim, por onde for
Vela silente feito alquimia
Suspiro inerte feito amor
Insonofosforescência
Poesia/Imagem: Danízio Dornelles
Que cada traço do teu abraço
Alimente o noturno da ausência
Insurgente facho de apego
Que dissolve o tempo feito lua
Na palidez da noite
Teu gesto ,
Calmaria e vendaval
No limiar do afago, que condena
Cúmplice fantasma errante
Inerte ao mundo mais comum
Que ameaça sucumbir antes do dia
Cá,
Deixamos nosso pó
Fragmento de luz
Fluido do amor maior
Além da asa,
Que medita tal encanto
Suspensos por um fio de utopia
Amanhecemos sonho
Amanhecemos povo
Amanhecemos mundo
Somos do antigo,
O que há de novo
E, num segundo
Somos do novo,
Um delírio primitivo
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