15.11.13

Eterno depois

Imagem: Fauna in La Mancha - Vladimir Kush
Poesia: Danízio Dornelles
insólito relâmpago
corta em fio
um retalho da tarde:
primavera arde
como brasa suspensa
no corpo do vento

tudo viceja.
tudo colore.

no brilho opaco
da parede morta
sombras se beijam
com bocas em flor

nas portas, alamedas:
porta-retratos de pele
sementes e grão.

esparsas silhuetas
de almas andantes
sedentas de mundo
famintas de pão

quantos sóis de silêncio
até o amanhecer do tempo
diluir-se em dois?
quanto caminho,
diurna promessa?

(infinita presença
no eterno depois)

2 comentários: