Imagem: Google/Reprodução
Poema: Danízio Dornelles
Autodevoro
teus paradigmas
milimétricos
na geografia dos passos
sobre as pedras
Autodevoro
se te devoro
e me devoro
te devorando
Autodevoro
pelo alto
o azul do teu céu
em nuvens e boca...
Translúcido gozo
onde pássaros
em cores
bebem poesia
Autodevoro-te
Autodevoro-me
num único substrato
da mesma substância
que exclama
almas libertas
em alquimia
corpos acorrentados
em chama
poema e rebeldia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . por Danízio Dornelles
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2.5.14
15.2.14
Refrão
Ingênuo fado
(que fascina)
deixa sementes
(de amor)
em bolas
de algodão;
a alma em flor
(de lua se ilumina)
num beijo
que amanhece
o gosto da estação
14.2.14
Dissabor
Poesia/Imagem: Danízio Dornelles
Amargo é o gosto do que não sinto
No verbo exposto em suor e absinto
Na escuridão a esmo e de mim mesmo
Margeia o fogo - e já o pressinto
Como num jogo ou num labirinto
A nuvem negra absorve a lua
Depois desvenda - delírio e afago
O mistério vago da imagem nua
Estás e não estás, cantiga e riso
Eis que te tenho, em carne e voz
Depois o abismo fecunda o espinho
E pelo caminho, só rastros de nós
Amargo é o gosto do que não sinto
No verbo exposto em suor e absinto
Na escuridão a esmo e de mim mesmo
Margeia o fogo - e já o pressinto
Como num jogo ou num labirinto
A nuvem negra absorve a lua
Depois desvenda - delírio e afago
O mistério vago da imagem nua
Estás e não estás, cantiga e riso
Eis que te tenho, em carne e voz
Depois o abismo fecunda o espinho
E pelo caminho, só rastros de nós
5.2.14
Previsão
Poesia/Imagem: Danízio Dornelles
Dissolvido pela poeira do silêncio
Caminho a procurar-te, desternura
Pode ser que te encontre num espinho
Que é o amor mais real de quem procura
Pode ser que te encontre numa brisa
Que toque o rosto no epitáfio pelo avesso
Pode ser que te recorde mesmo assim
Buscando fim onde nem houve começo
Pode ser... pode ser que eu adormeça
Mal ferido por dragões ou por moinhos
Sucumbindo ao labirinto de mim mesmo
Sangrando a esmo o vazio de ser sozinho
Dissolvido pela poeira do silêncio
Caminho a procurar-te, desternura
Pode ser que te encontre num espinho
Que é o amor mais real de quem procura
Pode ser que te encontre numa brisa
Que toque o rosto no epitáfio pelo avesso
Pode ser que te recorde mesmo assim
Buscando fim onde nem houve começo
Pode ser... pode ser que eu adormeça
Mal ferido por dragões ou por moinhos
Sucumbindo ao labirinto de mim mesmo
Sangrando a esmo o vazio de ser sozinho
4.2.14
Epílogo
- Imagem: Anna Yakova - Ramificações de árvore com as folhas de outono penduradas sobre o Rio Fontanka, Jardim de Verão, São Petersburgo, Rússia
- Poesia: Danízio Dornelles
Não florescerão mais girassóis em Amsterdam
Nem García Lorca pensará sobre o amor
Ficaremos para sempre adormecidos
Num baú sem cores, que perdeu o seu valor
Caminharemos por campos ondulados
Compondo estrofes de uma inerte poesia
Enquanto o sol queimar-te-á em desalinho
Sucumbirei ao ocaso de outro dia
Morreremos na promessa de uma tarde
No tabuleiro de pedras, na aquarela de um louco
Seguirei teu rastro sob a luz do esquecimento
Já curvado pelo tempo, que anoitece pouco a pouco
Teus rumos brandos beberão outros mistérios
Cada qual com suas luas pela frente
E a primavera, ao buscar o Rio Fontanka
Não beijará nada além de uma semente
- Poesia: Danízio Dornelles
Não florescerão mais girassóis em Amsterdam
Nem García Lorca pensará sobre o amor
Ficaremos para sempre adormecidos
Num baú sem cores, que perdeu o seu valor
Caminharemos por campos ondulados
Compondo estrofes de uma inerte poesia
Enquanto o sol queimar-te-á em desalinho
Sucumbirei ao ocaso de outro dia
Morreremos na promessa de uma tarde
No tabuleiro de pedras, na aquarela de um louco
Seguirei teu rastro sob a luz do esquecimento
Já curvado pelo tempo, que anoitece pouco a pouco
Teus rumos brandos beberão outros mistérios
Cada qual com suas luas pela frente
E a primavera, ao buscar o Rio Fontanka
Não beijará nada além de uma semente
31.1.14
Renúncia
Poesia/Imagem: Danízio Dornelles
Por ora sou pedra
inerte ao rio
que disseca meu corpo
Da margem esquerda,
te contemplo:
radiante estás
como as brancas ondas
da lua que não temos
Um coração de carne
me ameaça
mas é tarde
há tempos
não o escuto
em tal descompasso
tal desespero
entre pétalas
de pedra e cimento
no metal de meu silêncio
Que desacelere
ou despedace!
Ingênuo fardo de carne,
que pulsa
sensível aos cativeiros
que brotam em brancas luas
como se a noite queimasse
inerte ao rio
que disseca meu corpo
Da margem esquerda,
te contemplo:
radiante estás
como as brancas ondas
da lua que não temos
Um coração de carne
me ameaça
mas é tarde
há tempos
não o escuto
em tal descompasso
tal desespero
entre pétalas
de pedra e cimento
no metal de meu silêncio
Que desacelere
ou despedace!
Ingênuo fardo de carne,
que pulsa
sensível aos cativeiros
que brotam em brancas luas
como se a noite queimasse
Chama
Poesia/Imagem: Danízio Dornelles
Na madrugada
onde quase tudo é silêncio
espreitam nas janelas entreabertas
as vontades maldormidas
Com suas luzes brancas
que adentram veias
percorrem
a corrente sanguínea da noite,
que pulsa
Roubam as chaves da quietude
num torvelinho surreal
de cores vivas
sobrepostas à realidade morta
Arte metafísica do encantamento
(platônico por um fio
ou por um fim)
teus cristais de pedra são alamedas
por onde caminho
Sonho que move o mundo
e gira os pedais do tempo
presente estás
como uma utopia
que escorre entre os dedos
como um quadro psicodélico
do amor e de si mesmo
como a fosforescência de mundos
entre esses dois olhares
num infinito de luas
que só as noites compreenderão
Na madrugada
onde quase tudo é silêncio
espreitam nas janelas entreabertas
as vontades maldormidas
Com suas luzes brancas
que adentram veias
percorrem
a corrente sanguínea da noite,
que pulsa
Roubam as chaves da quietude
num torvelinho surreal
de cores vivas
sobrepostas à realidade morta
Arte metafísica do encantamento
(platônico por um fio
ou por um fim)
teus cristais de pedra são alamedas
por onde caminho
Sonho que move o mundo
e gira os pedais do tempo
presente estás
como uma utopia
que escorre entre os dedos
como um quadro psicodélico
do amor e de si mesmo
como a fosforescência de mundos
entre esses dois olhares
num infinito de luas
que só as noites compreenderão
30.1.14
Fragmento da mulher que encanta
Imagem: Google/Divulgação
Poesia: Danízio Dornelles
A Deusa que rege os mares
e meus passos
sabe o risco que corro
quando o sol projeta
poesia densa
no farol dos olhos
Em pétalas de lírio
repouso o metal
do inevitável silêncio,
segredo que divido com Ela
e com o rio
A mulher que encanta
tem jeito de borboleta ou flor
quimera ou cachoeira;
mas posso evitá-la
Tem um semblante
de pequena cascata
cristalinas ondas
que se desvelam
em fachos incandescentes
como a lua branca
que não temos;
mas posso evitá-la
A mulher que encanta
tem canto de ave
e seus passos são semeaduras
onde floresce o viço
da utopia que queima;
mas posso evitá-la
A mulher que encanta
caminha nua
mas veste-se de brilho
transita entre a sutileza dos dias
e o mistério noturno
das luas de pedra
É uma cidade imersa
de sóis e vidraças
onde minh'alma passa
querendo ficar
A mulher que encanta
acende uma brasa
e fica a soprar
uma chama febril
uma pedra de fogo
utopia sem asas
à direita de mim
E neste enlace
de céu e porvir
(entre terra e mar)
o sol que amanhece
a se repetir
traduz a sentença
da mulher que encanta:
- Poderei evitar?
Poesia: Danízio Dornelles
A Deusa que rege os mares
e meus passos
sabe o risco que corro
quando o sol projeta
poesia densa
no farol dos olhos
Em pétalas de lírio
repouso o metal
do inevitável silêncio,
segredo que divido com Ela
e com o rio
A mulher que encanta
tem jeito de borboleta ou flor
quimera ou cachoeira;
mas posso evitá-la
Tem um semblante
de pequena cascata
cristalinas ondas
que se desvelam
em fachos incandescentes
como a lua branca
que não temos;
mas posso evitá-la
A mulher que encanta
tem canto de ave
e seus passos são semeaduras
onde floresce o viço
da utopia que queima;
mas posso evitá-la
A mulher que encanta
caminha nua
mas veste-se de brilho
transita entre a sutileza dos dias
e o mistério noturno
das luas de pedra
É uma cidade imersa
de sóis e vidraças
onde minh'alma passa
querendo ficar
A mulher que encanta
acende uma brasa
e fica a soprar
uma chama febril
uma pedra de fogo
utopia sem asas
à direita de mim
E neste enlace
de céu e porvir
(entre terra e mar)
o sol que amanhece
a se repetir
traduz a sentença
da mulher que encanta:
- Poderei evitar?
16.1.14
Florescer tardio de uma pequena morte da paixão
Imagem: Divulgação
Poesia: Danízio Dornelles
"Que todo grande amor
só é bem grande se for triste"
(Vinícius de Moraes)
Cala frio
na tempestade da noite
um pecado vazio
Amar
à luz da inversa utopia
é diluir-se em si
e no tempo
para encontrar-se em alguém
ou por aí...
Que rima buscas
onde já não há mais verso?
E que verso trazes
no desvario secreto
do fruto do sonho
que em carne secou?
Caminas por la noche
y los perros y brujas
son tus mejores compañeros
Querias voltar o tempo,
suprimir os ponteiros
que acorrentam teus braços
e cerram tua alma
Mas o disparo que queima
e a rebeldia do rio
se perdem no horizonte
onde repousam os desamores
Alheia à ferida
uma lua branca,
angelical,
sorri ao fascínio
por saber-se lua
por saber-se amada
ou talvez mulher
Nela repousa a chave dos dias
e dos medos
qual um segredo fúnebre
que, em vão, tentamos esquecer
Toda vez que o amor anoitece
aflora uma pequena morte
na madrugada dos dias mais azuis
e fica a procurar caminhos
na bruma inerte da paixão roubada
Rondando... rondando...
es como una mariposa negra de la mala suerte
Entre cicatrizes e desencantos
repousa o canto das aves noturnas
cujo voo singra o breu
e em cujas asas navega o mistério:
Amor,
último passo antes do abismo
por onde nos conduz a insensata paixão...
no caminho, emplumadas asas
ou rochedos de espinho
Navegar
é beijar ofegante os lábios puros
da Deusa-Descoberta
(onde quase tudo é permitido
em sua alma liberta)
exceto fazer da margem
secreto marasmo
de um porto seguro
Poesia: Danízio Dornelles
só é bem grande se for triste"
(Vinícius de Moraes)
Cala frio
na tempestade da noite
um pecado vazio
Amar
à luz da inversa utopia
é diluir-se em si
e no tempo
para encontrar-se em alguém
ou por aí...
Que rima buscas
onde já não há mais verso?
E que verso trazes
do fruto do sonho
que em carne secou?
Caminas por la noche
y los perros y brujas
son tus mejores compañeros
Querias voltar o tempo,
suprimir os ponteiros
que acorrentam teus braços
e cerram tua alma
Mas o disparo que queima
e a rebeldia do rio
se perdem no horizonte
onde repousam os desamores
Alheia à ferida
uma lua branca,
angelical,
sorri ao fascínio
por saber-se lua
por saber-se amada
ou talvez mulher
e dos medos
qual um segredo fúnebre
que, em vão, tentamos esquecer
Toda vez que o amor anoitece
aflora uma pequena morte
na madrugada dos dias mais azuis
e fica a procurar caminhos
na bruma inerte da paixão roubada
Rondando... rondando...
es como una mariposa negra de la mala suerte
Entre cicatrizes e desencantos
repousa o canto das aves noturnas
cujo voo singra o breu
e em cujas asas navega o mistério:
Amor,
último passo antes do abismo
por onde nos conduz a insensata paixão...
no caminho, emplumadas asas
ou rochedos de espinho
Navegar
é beijar ofegante os lábios puros
da Deusa-Descoberta
(onde quase tudo é permitido
em sua alma liberta)
exceto fazer da margem
secreto marasmo
de um porto seguro
27.12.13
Monólogo a dois
Imagem: A Primavera de Frida e Van Gogh, de Rogério Fernandes
Poesia: Danízio Dornelles
Ao que parece
no céu de cetim
a face exposta
da lua de agosto
tem gosto de beijo.
E tu, primavera,
que queres de mim?
Poesia: Danízio Dornelles
Ao que parece
no céu de cetim
a face exposta
da lua de agosto
tem gosto de beijo.
E tu, primavera,
que queres de mim?
30.11.13
Do brilho quente de estrelas em janelas frias
Imagem: Noite estrelada sobre o Rio Ródano, de Van Gogh
Poesia: Danízio Dornelles
nas horas mortas
o punhal da noite
fere os olhos das estrelas
(que choram brilho)
luz de contemplação
amor vivo que respinga
e escorre pelo corpo do tempo
e pelas janelas frias
destas horas mortas
o que vem do espaço
são como passos
adentrando portas
há anos-luz é assim:
o incontido afago
sem volta
se desprende
da retina do universo
para morrer estopim
sucumbe na busca
de outra quimera
nas janelas e bocas
nos sonhos dos loucos
que deste brilho
fazem seu fim
Poesia: Danízio Dornelles
o punhal da noite
fere os olhos das estrelas
(que choram brilho)
luz de contemplação
amor vivo que respinga
e escorre pelo corpo do tempo
e pelas janelas frias
destas horas mortas
o que vem do espaço
são como passos
adentrando portas
há anos-luz é assim:
o incontido afago
sem volta
se desprende
da retina do universo
para morrer estopim
sucumbe na busca
de outra quimera
nas janelas e bocas
nos sonhos dos loucos
que deste brilho
fazem seu fim
15.11.13
Eterno depois
Imagem: Fauna in La Mancha - Vladimir Kush
Poesia: Danízio Dornelles
insólito relâmpago
corta em fio
um retalho da tarde:
primavera arde
como brasa suspensa
no corpo do vento
tudo viceja.
tudo colore.
no brilho opaco
da parede morta
sombras se beijam
com bocas em flor
nas portas, alamedas:
porta-retratos de pele
sementes e grão.
esparsas silhuetas
de almas andantes
sedentas de mundo
famintas de pão
quantos sóis de silêncio
até o amanhecer do tempo
diluir-se em dois?
quanto caminho,
diurna promessa?
(infinita presença
no eterno depois)
Poesia: Danízio Dornelles
corta em fio
um retalho da tarde:
primavera arde
como brasa suspensa
no corpo do vento
tudo viceja.
tudo colore.
no brilho opaco
da parede morta
sombras se beijam
com bocas em flor
nas portas, alamedas:
porta-retratos de pele
sementes e grão.
esparsas silhuetas
de almas andantes
sedentas de mundo
famintas de pão
quantos sóis de silêncio
até o amanhecer do tempo
diluir-se em dois?
quanto caminho,
diurna promessa?
(infinita presença
no eterno depois)
22.8.13
Brasa
Imagem/poesia: Danízio Dornelles
Tudo queima
Tudo viceja, tudo arde
Feito grão da tempestade
Que, afinal, é como espelho
Contemplo o que pulsa,
Retempera, enlouquece
A cor da noite transparece
O estático elemento
Afinal, o que vigora:
O caminho mundo afora
Ou o espinho em movimento?
Guardo, por fim, o teu instante
No até mais do não sei quando
Que se perde vida adentro8.8.13
Nós, os loucos
Imagem: Google/Reprodução
Poesia: Danízio Dornelles
Nós, os loucos, estamos na pele da noite
E na vertigem das ruas que transpiram povo
Somos o sentido impune da tempestade,
Onde colhemos a face de Quimera
Musa épica de um quadro libertário
Entre bandeiras de vinho e sangue
À nossa volta, cavalos, demônios
E cães sentem fome de escuridão
Nós, os loucos, somos apenas luz!
Translúcida alquimia que queima
Delírio que rasga a treva da noite
E penetra o sentido das coisas comuns
No céu que adormece ferido de estrelas
Deixamos o beijo suspenso por um fio
Que seja de utopia! E assim diluímos
O frio num caminhar sem fim, de poesia
Aonde vamos, somos pedra.
Fosforescência itinerante de um tempo febril
Queimam os muros em tinta à nossa volta.
Dilacera a carne o medo que não temos
Nós, os loucos, por pouco nos perdemos
Entre o delírio de viver e ser poema
Leia também:
Nós, os poemas
A razão da poesia
Operário
11 de setembro
Embriaguez
Poesia: Danízio Dornelles
Nós, os loucos, estamos na pele da noite
E na vertigem das ruas que transpiram povo
Somos o sentido impune da tempestade,
Onde colhemos a face de Quimera
Musa épica de um quadro libertário
Entre bandeiras de vinho e sangue
À nossa volta, cavalos, demônios
E cães sentem fome de escuridão
Nós, os loucos, somos apenas luz!
Translúcida alquimia que queima
Delírio que rasga a treva da noite
E penetra o sentido das coisas comuns
No céu que adormece ferido de estrelas
Deixamos o beijo suspenso por um fio
Que seja de utopia! E assim diluímos
O frio num caminhar sem fim, de poesia
Aonde vamos, somos pedra.
Fosforescência itinerante de um tempo febril
Queimam os muros em tinta à nossa volta.
Dilacera a carne o medo que não temos
Nós, os loucos, por pouco nos perdemos
Entre o delírio de viver e ser poema
Leia também:
Nós, os poemas
A razão da poesia
Operário
11 de setembro
Embriaguez
12.7.13
Nós, os poemas
Imagem: Google/Reprodução
Texto: Danízio Dornelles
Nós, os poemas, deliramos subitamente na alcova das palavras.
Diluímos o verbo não dito no pecado de um beijo ou de um disparo na escuridão. Sangramos lágrima. Choramos suor.
Em carne viva, despimos a vergonha da plenitude.
Nós, os poemas, somos feitos de pelos e quimeras. Fragmentos de utopia. Afagos sinceros e rimas. Ingênuos fados que fascinam.
Entre o gosto e o agosto, um gole de metáfora dilui na noite o que não se dilui na pele. Então nós, os poemas, cantamos às mãos o que não se canta à lua.
Vestimos o gesto que esculpe as ruas. Somos um pouco de todos. Um fragmento de pedra. Uma alquimia de luta.
Porque entre nós, os poemas, não há o absoluto nem o fraterno abstrato. O que não corta, não serve. O que não sangra, não ama.
Anoitecemos, pois, entre estrelas e estrofes. Num céu que conspira em seu matiz de chama.
Leia também:
-A razão da poesia
-Rebeldia II
-Mudança
-Des(a)tino
-Ligeiro delírio do gosto
Texto: Danízio Dornelles
Nós, os poemas, deliramos subitamente na alcova das palavras.
Diluímos o verbo não dito no pecado de um beijo ou de um disparo na escuridão. Sangramos lágrima. Choramos suor.
Em carne viva, despimos a vergonha da plenitude.
Nós, os poemas, somos feitos de pelos e quimeras. Fragmentos de utopia. Afagos sinceros e rimas. Ingênuos fados que fascinam.
Entre o gosto e o agosto, um gole de metáfora dilui na noite o que não se dilui na pele. Então nós, os poemas, cantamos às mãos o que não se canta à lua.
Vestimos o gesto que esculpe as ruas. Somos um pouco de todos. Um fragmento de pedra. Uma alquimia de luta.
Porque entre nós, os poemas, não há o absoluto nem o fraterno abstrato. O que não corta, não serve. O que não sangra, não ama.
Anoitecemos, pois, entre estrelas e estrofes. Num céu que conspira em seu matiz de chama.
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-A razão da poesia
-Rebeldia II
-Mudança
-Des(a)tino
-Ligeiro delírio do gosto
12.6.13
Amor passarinho
Imagem: Google/Reprodução
Poesia: Danízio Dornelles
passa
o amor passarinho
por um fio
de luz ou utopia
apêndice da terra
prolongamento
em movimento
de um céu
que assovia
amor passarinho
que passa
é promessa
ou ninho?
nada se sabe
de suas asas
para sempre casa
ou amanhã espinho
amor passarinho?
Leia também:
Correnteza
Nostalgia
O misticismo do frio
A razão da poesia
Vida-noite, roda-amor
Poesia: Danízio Dornelles
passa
o amor passarinho
por um fio
de luz ou utopia
apêndice da terra
prolongamento
em movimento
de um céu
que assovia
amor passarinho
que passa
é promessa
ou ninho?
nada se sabe
de suas asas
para sempre casa
ou amanhã espinho
amor passarinho?
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O misticismo do frio
A razão da poesia
Vida-noite, roda-amor
28.4.13
Fragmento
Imagem: Google/Reprodução
Poesia: Danízio Dornelles
A margem oposta
Desde então
Poesia: Danízio Dornelles
A margem oposta
ao centro
é meu norte
onde te encontro
passageira errante
em flor e poeira
Na estrada
sem passos
ou espaços
meu abraço
se perdeu de ti
Desde então
viajo na sombra
da alquimia
do desencontro
O ceu se espanta
em desencanto
escandaliza
o amor-poente
A tua ausência
já transparente
no escuro canto
de um bem-te-vi
desconhece o fim
Pelo outono
que se propaga
fecunda a chama
indecomponível
do fragmento
Anjos
Imagem: Google/Reprodução
Poesia: Danízio Dornelles
Um anjo inerte
Poesia: Danízio Dornelles
Um anjo inerte
acolheu meu sono,
velando a lágrima
oculta em mar;
um anjo louco
um anjo louco
e um pouco santo
em tênis de lona
pôs-se a voar...
Outro descalço
chegou depois:
vergas de terra
por entre os dedos,
falava coisas
sobre divisas,
romper as cercas...
matar o medo...
Vieram tantos,
e tantos mais,
esculpir o tempo,
estático grão;
havia um anjo
da tempestade,
havia um anjo
da escuridão...
Vieram todos,
do mar, da bruma,
da lua rasa,
das flores mortas;
vieram anjos,
(vermelhas pipas)
no céu que habita
por trás das portas...
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A razão da poesia
Vida-noite, roda-amor
Breve
Caminhante
Escuridão da poesia
Vieram todos,
do mar, da bruma,
da lua rasa,
das flores mortas;
vieram anjos,
(vermelhas pipas)
no céu que habita
por trás das portas...
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A razão da poesia
Vida-noite, roda-amor
Breve
Caminhante
Escuridão da poesia
18.2.13
Ligeiro delírio do gosto
Imagem: reprodução/Google
Poesia: Danízio Dornelles
Gosto do gosto que tece
Na boca que inflama,
Do corpo que aquece
Ao mistério da chama,
Do suor que adormece
A palavra que exclama.
Gosto do gosto que bebe
O suspiro que exala,
Do olhar que percebe
O verbo que cala,
Da luz que concebe
O segredo da fala.
Gosto do gosto fecundo
Do teu desvario,
Abismo profundo
Dos olhos em cio,
Desejos do mundo...
Poemas do frio...
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15.2.13
Pranto
Imagem: desconhecido
Poesia: Danízio Dornelles
Fechar os olhos,
Despertar cada segredo:
Outro dia senti medo
Que a estrela se apagasse,
Que todo o céu se abrisse,
Que escuridão me sorrisse,
E a noite inteira chorasse...
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Despedida
Correnteza
Escuridão da poesia
Caminhante
A agonia branca de um poema não-escrito
Poesia: Danízio Dornelles
Fechar os olhos,
Despertar cada segredo:
Outro dia senti medo
Que a estrela se apagasse,
Que todo o céu se abrisse,
Que escuridão me sorrisse,
E a noite inteira chorasse...
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Despedida
Correnteza
Escuridão da poesia
Caminhante
A agonia branca de um poema não-escrito
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